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jennifervasconcelosjdsv2
trabalhos:resumos [2021/12/08 01:38] (atual)
jennifervasconcelosjdsv2
Linha 124: Linha 124:
 **Resumo:** A ocorrência de distúrbios impacta a diversidade de estratégias de vida em comunidades e a evolução de estratégias de vida em populações. Na Ecologia, o distúrbio é estudado enquanto fator ambiental que altera a disponibilidade de recursos e a abundância das populações,​ ocasionando a exclusão competitiva de espécies menos favorecidas a depender da intensidade e da frequência de sua ocorrência. Na Biologia Evolutiva, o distúrbio é avaliado enquanto pressão que, dependendo de sua regularidade no ambiente, determina a intensidade da resposta evolutiva das espécies e, assim, a adaptação a estratégias de vida de maior aptidão. Ainda que haja separação entre as duas áreas, a dinâmica ecológica influencia a dinâmica evolutiva e vice-versa. Estudos que integram Ecologia e Evolução têm sido cada vez mais recorrentes,​ no entanto, poucos ou nenhum consideram o distúrbio. Neste trabalho, utilizamos um modelo baseado em indivíduo para criar cenários nos quais os processos de adaptação e exclusão competitiva de espécies possam ocorrer, tanto conjunta quanto isoladamente,​ a fim de entender como o distúrbio determina as estratégias de vida presentes em comunidades sob dinâmicas ecológicas,​ evolutivas e eco-evolutivas. No modelo, as estratégias de vida são atributos herdáveis definidos por um trade-off entre longevidade e fecundidade. O cenário evolutivo foi composto por populações (apenas uma espécie) com mutação; o cenário ecológico, por diversas espécies sem mutação e o cenário eco-evolutivo,​ por diversas espécies com mutação. Observamos que o distúrbio esteve positivamente relacionado com a predominância de indivíduos fecundos em todos os cenários, mas o efeito do distúrbio sobre a diversidade de estratégias variou. Nos cenários evolutivo e eco-evolutivo,​ a diversidade de estratégias aumentou com a intensificação do distúrbio, enquanto no cenário ecológico a diversidade caiu. Isso indica a importância da mutação como fonte de novas variantes da estratégia quando há alta renovação de indivíduos da comunidade, condicionada pela mortalidade elevada. Apenas no cenário eco-evolutivo houve um pico de heterogeneidade de estratégias em níveis intermediários de distúrbio. Neste cenário, o isolamento reprodutivo das espécies, em contraposição à pan-mixia que ocorre dentro das populações,​ permite que as espécies difiram em relação à sua estratégia de vida média. Em paralelo, a entrada constante de variantes de estratégias por mutação previne a extinção definitiva das estratégias do sistema. Assim, quando o nível de distúrbio é intermediário,​ tanto espécies mais fecundas quanto espécies mais longevas conseguem coexistir na comunidade. Dado que os diferentes cenários resultaram em padrões distintos de frequência relativa de estratégias de vida, este trabalho evidencia a importância de estudarmos o efeito do distúrbio na estrutura e na dinâmica de comunidades unindo processos que são tipicamente estudados de forma isolada pela Ecologia e pela Biologia Evolutiva. ​ **Resumo:** A ocorrência de distúrbios impacta a diversidade de estratégias de vida em comunidades e a evolução de estratégias de vida em populações. Na Ecologia, o distúrbio é estudado enquanto fator ambiental que altera a disponibilidade de recursos e a abundância das populações,​ ocasionando a exclusão competitiva de espécies menos favorecidas a depender da intensidade e da frequência de sua ocorrência. Na Biologia Evolutiva, o distúrbio é avaliado enquanto pressão que, dependendo de sua regularidade no ambiente, determina a intensidade da resposta evolutiva das espécies e, assim, a adaptação a estratégias de vida de maior aptidão. Ainda que haja separação entre as duas áreas, a dinâmica ecológica influencia a dinâmica evolutiva e vice-versa. Estudos que integram Ecologia e Evolução têm sido cada vez mais recorrentes,​ no entanto, poucos ou nenhum consideram o distúrbio. Neste trabalho, utilizamos um modelo baseado em indivíduo para criar cenários nos quais os processos de adaptação e exclusão competitiva de espécies possam ocorrer, tanto conjunta quanto isoladamente,​ a fim de entender como o distúrbio determina as estratégias de vida presentes em comunidades sob dinâmicas ecológicas,​ evolutivas e eco-evolutivas. No modelo, as estratégias de vida são atributos herdáveis definidos por um trade-off entre longevidade e fecundidade. O cenário evolutivo foi composto por populações (apenas uma espécie) com mutação; o cenário ecológico, por diversas espécies sem mutação e o cenário eco-evolutivo,​ por diversas espécies com mutação. Observamos que o distúrbio esteve positivamente relacionado com a predominância de indivíduos fecundos em todos os cenários, mas o efeito do distúrbio sobre a diversidade de estratégias variou. Nos cenários evolutivo e eco-evolutivo,​ a diversidade de estratégias aumentou com a intensificação do distúrbio, enquanto no cenário ecológico a diversidade caiu. Isso indica a importância da mutação como fonte de novas variantes da estratégia quando há alta renovação de indivíduos da comunidade, condicionada pela mortalidade elevada. Apenas no cenário eco-evolutivo houve um pico de heterogeneidade de estratégias em níveis intermediários de distúrbio. Neste cenário, o isolamento reprodutivo das espécies, em contraposição à pan-mixia que ocorre dentro das populações,​ permite que as espécies difiram em relação à sua estratégia de vida média. Em paralelo, a entrada constante de variantes de estratégias por mutação previne a extinção definitiva das estratégias do sistema. Assim, quando o nível de distúrbio é intermediário,​ tanto espécies mais fecundas quanto espécies mais longevas conseguem coexistir na comunidade. Dado que os diferentes cenários resultaram em padrões distintos de frequência relativa de estratégias de vida, este trabalho evidencia a importância de estudarmos o efeito do distúrbio na estrutura e na dinâmica de comunidades unindo processos que são tipicamente estudados de forma isolada pela Ecologia e pela Biologia Evolutiva. ​
  
-=== PEREIRA, Thiago Mitonori ===+=== PEREIRA, Thiago Mitonori===
 [[https://​teses.usp.br/​teses/​disponiveis/​41/​41134/​tde-10102014-105432/​pt-br.php|Dissertação completa.pdf]] [[https://​teses.usp.br/​teses/​disponiveis/​41/​41134/​tde-10102014-105432/​pt-br.php|Dissertação completa.pdf]]
  
Linha 277: Linha 277:
 mesma condição. //Anetium citrifolium//​ foi indicadora de interior de fragmentos com matriz mesma condição. //Anetium citrifolium//​ foi indicadora de interior de fragmentos com matriz
 pasto. pasto.
 +
 +=== SALLES, Maysa da Costa Lima ===
 +
 +**Efeitos de borda lineares de diferentes idades sobre a composição e estrutura da comunidade arbustiva-arbórea na Mata Atlântica**
 +
 +**Resumo:** O processo de fragmentação reduz a área florestal e expõe a comunidade florística aos
 +efeitos de borda, mesmo que as bordas sejam representadas por aberturas lineares. Além
 +disso, fatores ambientais associados a distúrbios são importantes na variação da
 +comunidade florística de florestas tropicais. Neste sentido, a proposta deste estudo
 +consistiu em avaliar os efeitos de aberturas lineares de diferentes idades de criação (30 e
 +200 anos) do estrato médio, e comparar com o estrato superior, sobre a comunidade
 +arbustiva e arbórea de um trecho de Mata Atlântica do Estado do Rio de Janeiro e a
 +influência dos fatores ambientais. Dados estruturais e de composição florística foram
 +comparados entre as localidades de estudo, a partir dos quais se avaliou a interação com
 +a declividade e altitude. Sugere-se que a comunidade arbustiva e arbórea adjacente às
 +duas aberturas lineares se encontram sob os efeitos de borda, porém, de forma menos
 +intensa, devido ao amortecimento dos impactos resultante da formação de uma camada
 +de vegetação secundária ao longo dos anos, associada a uma matriz adjacente florestal.
 +A borda de 200 anos apresentou baixa riqueza e composição florística diferenciada das
 +demais localidades,​ o que sugere que comunidade arbustiva e arbórea esteja sob danos
 +permanentes causados pelos efeitos de borda. A borda de 30 anos parece estar passando
 +por um período de transição,​ no qual as árvores de estágios sucessionais iniciais do
 +processo de sucessão, iniciado imediatamente após a criação da borda, podem ter
 +alcançado a idade adulta e junto às demais espécies arbóreas, compõem o atual estrato
 +superior florestal. A altitude e declividade exercem alguma influência na variação da
 +composição florística,​ mas outras co-variáveis topográficas deverão ser consideradas
 +para uma avaliação mais precisa.
  
 === PANNUTI, Márcia Ione da Rocha === === PANNUTI, Márcia Ione da Rocha ===
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 **Resumo:** Entender os mecanismos de coexistência de espécies é uma questão central na **Resumo:** Entender os mecanismos de coexistência de espécies é uma questão central na
-Ecologia, dentre eles destacam-se a limitação de dispersão e processos de nicho. +Ecologia, dentre eles destacam-se a limitação de dispersão e processos de nicho. Enquanto o primeiro pode ser definido como a impossibilidade de recrutar indivíduos em todos os lugares apropriados à sobrevivência,​ o segundo se dá por espécies diferentes terem maior fitness em determinados ambientes. Ambos os processos causam agregações 
-Enquanto o primeiro pode ser definido como a impossibilidade de recrutar indivíduos em +de indivíduos da mesma espécie e, assim, afetam o padrão espacial da comunidade. Com o objetivo de verificar a influência da heterogeneidade ambiental na importância relativa desses dois processos, utilizamos dados de três parcelas permanentes de 25ha na Amazônia pertencentes à rede ForestGEO. As parcelas do Brasil (Manaus) e Equador 
-todos os lugares apropriados à sobrevivência,​ o segundo se dá por espécies diferentes +(Yasuní) são significativamente mais diversas que a da Colômbia (Amacayacu) e estas possuem diferentes níveis de heterogeneidade ambiental (Amacayacu < Manaus < Yasuní). Quatro modelos espaciais foram ajustados para as 1196 espécies de árvores analisadas (abundância > 70 indivíduos):​ Aleatoriedade Espacial (AE), Processos de 
-terem maior fitness em determinados ambientes. Ambos os processos causam agregações +nicho (HA), Limitação de Dispersão (LD) e efeito conjunto (HA+LD). O modelo mais plausível foi definido através de uma árvore de seleção utilizando uma combinação de critérios de AIC, Goodness-of-Fit (DCLF test) e parcimônia. Os resultados foram
-de indivíduos da mesma espécie e, assim, afetam o padrão espacial da comunidade. Com +
-o objetivo de verificar a influência da heterogeneidade ambiental na importância relativa +
-desses dois processos, utilizamos dados de três parcelas permanentes de 25ha na +
-Amazônia pertencentes à rede ForestGEO. As parcelas do Brasil (Manaus) e Equador +
-(Yasuní) são significativamente mais diversas que a da Colômbia (Amacayacu) e estas +
-possuem diferentes níveis de heterogeneidade ambiental (Amacayacu < Manaus < +
-Yasuní). Quatro modelos espaciais foram ajustados para as 1196 espécies de árvores +
-analisadas (abundância > 70 indivíduos):​ Aleatoriedade Espacial (AE), Processos de +
-nicho (HA), Limitação de Dispersão (LD) e efeito conjunto (HA+LD). O modelo mais +
-plausível foi definido através de uma árvore de seleção utilizando uma combinação de +
-critérios de AIC, Goodness-of-Fit (DCLF test) e parcimônia. Os resultados foram+
 ajustados a um modelo multinomial para verificar se as localidades diferiam na ajustados a um modelo multinomial para verificar se as localidades diferiam na
 probabilidade de seleção dos modelos concorrentes. Manaus e Yasuní não diferem em probabilidade de seleção dos modelos concorrentes. Manaus e Yasuní não diferem em
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 maior diversidade. ​ maior diversidade. ​
    
- 
- 
 === TRUFFI, Luisa de Oliveira Costa === === TRUFFI, Luisa de Oliveira Costa ===
  
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 predominantes nessas comunidades. ​ predominantes nessas comunidades. ​
  
-=== PEREIRA, Thiago ​Mitonori ​=== +=== PEREIRA, Thiago ===  
 + 
 +**Efeitos da qualidade de luz na germinação de sementes das espécies de Myrtaceae da restinga da Ilha do Cardoso**  
 + 
 +**Resumo:** A família Myrtaceae é uma das famílias consideradas ecologicamente mais importantes no Brasil, especialmente na Mata Atlântica, sendo a família dominante em diversas florestas tropicais. Em áreas de restinga especificamente,​ a família Myrtaceae destaca-se pela grande riqueza de espécies, sendo, entre as arbóreas, freqüentemente a mais diversa. Entretanto, existem poucos estudos de cunho ecológico e fisiológico sobre essa família. O conhecimento sobre as condições de germinação das sementes, no caso de espécies de Myrtaceae fornece resultados que podem ser úteis tanto em estudos evolutivos sobre a família Myrtaceae, quanto para a indicação da fase sucessional correta para o uso de determinadas espécies em projetos de restauração de áreas tropicais. No presente estudo foram realizados experimentos de germinação em laboratório,​ primeiramente em luz branca e escuro para as espécies //Eugenia umbelliflora//,​ //Myrcia multiflora//​ e //​Blepharocalyx salicifolius//​ e posteriormente em diferentes razões Vermelho/​Vermelho extremo para a espécie //Eugenia umbelliflora//​. A germinação foi acompanhada a cada 2 dias, durante um período de 60 dias e adicionalmente a cada 7 dias até completar 90 dias. As sementes das três espécies germinaram na presença de luz e no escuro, indicando que as suas sementes apresentam grande plasticidade ambiental quanto, podendo ocupar diferentes ambientes em relação à qualidade de luz. //E. umbelliflora//​ e //B. salicifolius//​ se apresentaram como indiferentes à luz tendo germinação controlada pelo fitocromo A (fiA), através de uma resposta de fluência muito baixa (RFMB), enquanto M. multiflora apresentou uma maior porcentagem de germinação sob luz branca, apresentando indícios de ser fotoblástica positiva, porém necessitando de estudos complementares. Os testes, em diferentes níveis de V/VE, para //E. umbelliflora//​ reforçam que essa espécie tem ampla plasticidade ambiental, com a capacidade de germinar tanto em clareiras quanto sob o dossel. 
 + 
 +=== ROSA, Matheus Guthierris Bitencourt ===  
 + 
 +**Estrutura filogenética de comunidades de plântulas em florestas de Restinga com diferentes condições ambientais** 
 + 
 +**Resumo:** Comunidades ecológicas frequentemente diferem em riqueza, composição e 
 +abundância das espécies, refletindo diferentes processos de montagem. Processos 
 +baseado no nicho e processos neutros podem interagir na estruturação de diferentes 
 +comunidades. Acessar a estrutura filogenética de comunidades pode permitir a 
 +inferência de processos de nicho em relação a processos neutros, se as distâncias 
 +filogenéticas entre espécies co-ocorrentes refletem diferenças de nicho. Por um lado, 
 +se as tolerâncias das espécies às condições abióticas são filogeneticamente 
 +conservadas,​ intenso filtro ambiental deve promover maior parentesco filogenético 
 +entre espécies co-ocorrentes que o esperado ao acaso. Por outro lado, interações 
 +negativas entre espécies, como a competição por recursos limitados, pode limitar o 
 +parentesco filogenético no local, principalmente em escalas menores. No estágio de 
 +plântula, a competição pode não ser forte o suficiente para impor um sinal não- 
 +aleatório na estrutura filogenética do ambiente como um todo, mas deve ser 
 +importante na montagem de vizinhanças locais. Neste trabalho, pretendemos 
 +comparar a estrutura filogenética de comunidades de plântulas em três fisionomias 
 +florestais de Restinga no Parque Estadual da Ilha do Cardoso (Restinga Alta 
 +Alagada - RAA, Restinga Alta Drenada - RAD e Restinga Baixa - RB) a fim de inferir 
 +a importância relativa de diferentes processos de montagem em duas escalas 
 +hierárquicas. Descrevemos a estrutura filogenética da fisionomia e das vizinhanças 
 +locais através da média das distâncias filogenéticas entre pares de espécies co- 
 +ocorrentes (mean pairwise distance – MPD), por dois cálculos possíveis:​ 
 +considerando apenas a presença da espécie no local e ponderando pelas 
 +abundâncias das espécies. Na escala da fisionomia, para avaliar se a composição 
 +de espécies em diferentes florestas de Restinga difere do esperado ao acaso, 
 +comparamos a média filogenética dos pares de espécies que ocorrem em cada 
 +fisionomia com uma distribuição de médias geradas pelo sorteio das espécies de um 
 +pool de árvores adultas na Parcela Permanente da Ilha do Cardoso. Encontramos 
 +que a média filogenética entre pares de espécies de plântulas em diferentes 
 +fisionomias florestais da Restinga, no geral, não difere do esperado ao acaso. Na 
 +escala das vizinhanças,​ para avaliar se a estrutura filogenética de plântulas vizinhas 
 +espacialmente difere entre florestas de Restinga, comparamos a estatística F de 
 +uma Análise de Variância simples (ANOVA) com uma distribuição de F gerada pela 
 +permutação das médias por tríade entre os ambientes. A partir disso, realizamos um 
 +teste a posteriori para avaliar as diferenças absolutas na média de cada par de 
 +grupo de vizinhanças. Encontramos que a distribuição de médias filogenéticas por 
 +tríade na floresta de Restinga Baixa difere da distribuição de médias por tríade nas 
 +Florestas de Restinga Alta, mas a Restinga Alta Alagada e a Restinga Alta Drenada 
 +não diferem entre si. Nossos resultados indicam que processos neutros são mais 
 +importantes que processos de nicho na montagem de comunidades de plântulas na 
 +escala da fisionomia como um todo, embora processos seletivos como a filtragem 
 +ambiental ou competição possam ter um papel secundário na estruturação de 
 +vizinhanças locais.  
 + 
 +=== MORETTO, Felipe Alexandre === 
 + 
 +**Regeneração natural e diversidade de plântulas em um ecossistema de transição planície costeira - encosta** 
 + 
 +**Resumo:** A comunidade de plântulas da planície costeira do município de 
 +Caraguatatuba foi estudada em um fragmento de 50 hectares de Floresta de 
 +Transição Restinga – Encosta. A área de estudo foi descrita por meio de 40 
 +conjuntos de 3 parcelas de 1m x1m totalizando uma área de 120m2, sendo que 23 
 +conjuntos estavam em condição alagada e 17 em condição não alagada (seca). 
 +Foram obtidas medidas de abertura de dossel com o auxilio do densiômetro. Ao total 
 +foram identificadas 507 plântulas, representando uma média de 4,23 plântulas por 
 +m2. Foi possível observar uma riqueza elevada, com 82 espécies diferentes. As 
 +espécies mais abundantes foram //​Calypthrantes sp// (107), //Myrtaceae sp1// (82) e 
 +//Annona cf reticulada//​ (19). A família Myrtaceae apresentou a maior riqueza de 
 +espécies, totalizando 18 espécies. As parcelas alagadas apresentaram em média, 
 +9,99 plântulas por 3m2 e as secas 15,69 por 3m2. A média de espécies nas áreas 
 +alagadas foi de 3,69 espécies por 3m2 e nas parcelas secas foi de 6,11 plântulas por 
 +3m2. As predições deste estudo foram que as áreas alagadas deveriam conter o 
 +menor número de espécies e a menor riqueza de espécies em relação ás áreas não 
 +alagadas. Para a abertura de dossel era esperado que áreas mais abertas 
 +possuíssem maior numero de plântulas e maior riqueza de espécies. No entanto 
 +após a aleatorização dos dados não foi possível observar que áreas alagadas 
 +tinham menor riqueza e menor número de espécies (p =0,33). O aumento da 
 +porcentagem da abertura do dossel não afetou significativamente o número de 
 +plântulas (p= 0,23) nem a riqueza de espécies (p=0,44). Dessa forma, os resultados 
 +indicam que essa variáveis ambientais não são suficientes para explicar a variação 
 +observada na abundância e na riqueza de espécies de plântulas nesse ecossistema. 
 +No entanto outros fatores podem ser limitantes para o estabelecimento de plântulas. 
 +Entre os fatores possíveis, a perturbação antrópica da área para retirada do palmito 
 +(Euterpe edulis), o grande número de trilhas traçadas na região (pisoteio de mudas) 
 +e a competição com as herbáceas merecem estudos mais detalhados no futuro. 
 + 
 +=== DIAS, Julia de Freitas === 
 + 
 +**Levantamento de Produção de Mudas de Espécies de Restinga em Viveiros do Estado de São Paulo: Implicações para a restauração ecológica** 
 + 
 +**Resumo:** Para ser viável a realização de projetos de restauração seguindo as indicações científicas e da 
 +legislação é essencial que exista disponibilidade de mudas em viveiros com alta diversidade 
 +de espécies e, se possível, genética. Com o propósito de conhecer a disponibilidade atual de 
 +mudas, a capacidade de produção e os principais limitantes para a produção de uma alta 
 +diversidade de espécies de ambientes de restinga, foi realizado um levantamento dos viveiros 
 +que trabalham com mudas de espécies deste ecossistema no Estado de São Paulo. No total, 
 +foram contatados 122 viveiros e 41 municípios,​ resultando em apenas seis viveiros que 
 +produzem mudas a partir de material proveniente de áreas de restinga. A definição do perfil 
 +da produção de mudas de restinga nestes seis viveiros foi feita por meio de aplicação de 
 +questionários técnico e administrativo. Entre os principais resultados obtidos neste 
 +levantamento,​ pode-se destacar a pequena quantidade de mudas de restinga produzidas no 
 +litoral norte, as dificuldades na etapa de obtenção sementes relacionadas ao processo de 
 +coleta, a desarticulação dos setores envolvidos na produção de mudas de restinga, a ínfima 
 +participação dos municípios na produção de mudas e a percepção dos produtores de mudas 
 +sobre mudanças dos períodos de frutificação das espécies em suas áreas de coleta. Este estudo 
 +evidencia a atual carência da produção de mudas de restinga e pode servir como um 
 +instrumento de divulgação dos viveiros que trabalham com este ecossistema,​ facilitando o 
 +contato entre eles e com grupos de planejamento de restauração. 
 + 
 +=== HAGA, Eloísa Brandão ===  
 + 
 +**Existe relação entre características morfológicas da semente e o tempo de germinação em espécies simpátricas da família Myrtaceae em uma floresta de restinga?​** 
 + 
 +**Resumo:** Em áreas de restingas brasileiras,​ que são encontradas ao longo da costa do Brasil, no 
 +domínio da Floresta Atlântica, a família Myrtaceae destaca-se pela alta riqueza de espécies,​ 
 +além da alta densidade de indivíduos. Apesar da sua importância na estrutura das florestas,​ 
 +estudos voltados à ecologia dessa família ainda são escassos. Analisar se as características da 
 +semente (tamanho da semente, espessura do tegumento e morfologia da plântula) estão 
 +relacionadas com o tempo de germinação e como o tempo de germinação e essas 
 +características estão distribuídos em relação à filogenia da família, pode fornecer indícios 
 +sobre o papel de fatores ecológicos ou filogenéticos como reguladores do estabelecimento das 
 +espécies. Foram realizados os experimentos com 10 espécies de Myrtaceae, cujas sementes 
 +foram pesadas, o comprimento do maior eixo e a espessura do tegumento foram medidos e a 
 +morfologia da plântula foi descrita. As sementes foram colocadas para germinar e foram 
 +submetidas a um tratamento de luz branca e um tratamento de escuro total. O fotoperíodo e a 
 +temperatura foram mantidos constantes em, respectivamente,​ 12h e 22,3 ̊C. O número de 
 +sementes germinadas foi avaliado a cada 2 dias durante um período de 60 dias e 
 +adicionalmente a cada 7 dias até completar 90 dias. Não foi observada relação entre o 
 +tamanho das sementes e o tempo médio de germinação e nem entre a espessura do tegumento 
 +e o tempo médio de germinação. Estes resultados sugerem que as interações ecológicas não 
 +parecem ser tão importantes para moldar o tempo de germinação dessas espécies. Nenhuma 
 +restrição filogenética foi observada, pois tanto as características analisadas da semente quanto 
 +os tempos médios de germinação estão distribuídos entre diferentes grupos filogenéticos 
 +dentro da família. A relação entre a morfologia da plântula e o tempo médio de germinação 
 +foi observada, indicando uma possível restrição biofísica, pelo fato, da radícula estar 
 +envolvida pelos cotilédones de reserva, resultando no atraso da germinação. Além disso, é 
 +possível que um fator ecológico esteja influenciando o tempo de germinação dessas espécies,​ 
 +uma vez que as espécies com cotilédones fotossintéticos apresentaram germinação mais 
 +rápida, o que poderia favorecer a obtenção de uma maior quantidade de luz, aumentando as 
 +chances de estabelecimento antes que outras espécies se estabeleçam e formem sombra sobre 
 +elas. 
 + 
 +=== PEREIRA, Nathália Helena Azevedo ===  ​
  
-** Requerimentos quanto à qualidade ​de luz para germinação das sementes de espécies de Myrtaceae da restinga ​da Ilha do Cardoso ​** +**Distribuição espacial ​de bromélias tanque terrestres em restinga: causas e consequências**
  
-**Resumo:​** ​A família Myrtaceae é uma das famílias consideradas ecologicamente mais importantes ​no Brasilespecialmente na Mata Atlânticasendo família dominante ​em diversas florestas tropicaisEm áreas ​de restinga ​especificamente, a família Myrtaceae destaca-se pela grande riqueza ​de espécies, sendo, entre as arbóreas, freqüentemente ​mais diversaEntretantoexistem poucos estudos de cunho ecológico e fisiológico ​sobre essa família. O conhecimento sobre as condições ​de germinação das sementes, no caso de espécies de Myrtaceae fornece resultados que podem ser úteis tanto em estudos evolutivos sobre a família Myrtaceaequanto para a indicação da fase sucessional correta para uso de determinadas espécies em projetos ​de restauração ​de áreas tropicaisNo presente estudo foram realizados experimentos ​de germinação em laboratórioprimeiramente em luz branca e escuro para as espécies ​//Eugenia umbelliflora//, Myrcia multiflora e //Blepharocalyx salicifolius// e posteriormente em diferentes razões Vermelho/Vermelho extremo para a espécie ​//Eugenia umbelliflora//. A germinação foi acompanhada a cada 2 diasdurante um período de 60 dias adicionalmente a cada 7 dias até completar 90 dias. As sementes das três espécies ​germinaram na presença ​de luz no escuro, indicando que as suas sementes apresentam grande plasticidade ambiental quanto, podendo ocupar diferentes ambientes em relação à qualidade ​de luz. //Eumbelliflora// e //Bsalicifolius// se apresentaram como indiferentes à luz tendo germinação controlada pelo fitocromo A (fiA), através ​de uma resposta ​de fluência muito baixa (RFMB), enquanto M. multiflora apresentou uma maior porcentagem de germinação sob luz branca, apresentando indícios ​de ser fotoblástica positiva, porém necessitando ​de estudos complementaresOs testes, em diferentes níveis ​de V/VE, para //E. umbelliflora//​ reforçam que essa espécie tem ampla plasticidade ambiental, ​com a capacidade ​de germinar tanto em clareiras quanto sob o dossel.+**Resumo:​** ​O padrão de distribuição espacial de plantas resulta da ação conjunta dos fatores bióticos e 
 +abióticos, compreendendo desde a competição por espaço à disponibilidade de nutrientes, luz e água. Analisar os fatores que variam ​no espaçotais como a incidência de luz e as características edáficasé fundamental para compreensão do controle que estes fatores podem ter sobre a distribuição espacial das espécies vegetais ​em ambientes naturaisO presente estudo teve como objetivo avaliar possíveis fatores determinantes da distribuição de 
 +bromélias terrestres, grupo de plantas extremamente abundante em ambientes ​de restinga, dominando o estrato herbáceo por grandes extensões. Por outro lado, a presença das bromélias no estrato inferior pode dificultar o estabelecimento ​de espécies arbóreas ​e afetar ​estrutura da vegetaçãoDessa formatambém foram analisadas nesse estudo, as consequências da presença das bromélias ​sobre a estrutura da vegetação. O estudo foi conduzido num trecho ​de Floresta Alta de Restinga, no Parque Estadual da Ilha do Cardoso, litoral sul do Estado ​de São 
 +Paulo. Foram amostrados 5,76 ha, em 144 parcelas contíguas de 20 x 20mnas quais foram registrados ​número total de rosetas das bromélias tanque terrestres presentes bem como a porcentagem ​de cobertura ​de solo de cada espécieForam encontradas sete espécies ​de bromélias terrestres: //Bromelia antiacantha//​, //Canistrum cyanthiforme//, //Nidularium innocentii////Nidularium procerum//, //Quesnelia arvensis//, //Vriesea carinata// ​//Vriesea ensiformis//​ e aproximadamente 50% dos 5,76ha de floresta de restinga amostrados estavam cobertos por bromélias. As espécies ​que apresentaram os maiores número ​de rosetas ​e de área de cobertura foram //Nprocerum//, ​//Ninnocentii// e //Ccyanthiforme//. Os resultados indicam que a distribuição ​de bromélias terrestres está positivamente relacionada com a abertura ​de dossel e que o aumento da porcentagem de areia grossa entre 5 e 20m de profundidade está relacionada a uma diminuição do número ​de rosetas por parcelaA riqueza ​de indivíduos arbóreos adultos diminuiu ​com o aumento do número de rosetas numa parcela. Não foi observada relação entre presença ​de bromélias e a abundância de espécies arbóreas adultas nas parcelas, sugerindo que as bromélias não interferem na estrutura do dossel ​da floresta e parecem estar utilizando o espaço não ocupado pelas espécies arbóreas.
  
trabalhos/resumos.1638924282.txt.gz · Última modificação: 2021/12/07 22:44 por jennifervasconcelosjdsv2